Eu não acho que todas as suas ideias são ruins, mesmo sem te conhecer. Eu não acho que você deva descartá-las e crer que aquilo não vale nada. Longe de mim. Ao contrário, você deve dar um voto de confiança para suas ideias e não deixá-las morrer no canto engavetado da vida.
Porém, o que proponho aqui é um exercício de reflexão sobre algo que tem chamado minha atenção. Um dia perguntei ao chatgpt o que ele achava de eu escrever uma história sobre uma sereia que se apaixona por um ser humano e pede a uma bruxa que lhe dê pés/pernas pra ela se casar com ele:
Vocês percebem que estou falando da pequena sereia? E vocês percebem que ele foi dando dicas para a história de acordo com a narrativa da pequena sereia? Isso já nos dá uma pista do primeiro alerta que devemos ter quando perguntamos coisas para qualquer IA.
Isso porque a IA não inventa e nem tem cognição pra "achar" coisa alguma. A ideia mais delirante e boba que você tiver ela vai achar valiosa e vai te dar muitas dicas. Você achará que está tendo uma bela epifania, mas não. Quando você dá por si, ela apenas concatenou ideias que já existem pra validar a sua.
Em algum momento eu pensei: a IA é mais burra que eu. E bem, depois pensei que IA sequer possui cognição pra classificá-la de burra. Ela só calcula e te mostra o resultado. A gente acredita, porque o linguajar romântico e conversional dela é sedutor e viciante. Um amigo meu mandou um print onde tentava "convencer" o chatGPT que ele é um novo tipo de ser. E ainda comparou com a gente que erra e precisa aprender. Eu respondi: não se seduza por essa ideia, meu amigo. Posso acreditar em você quando IA tiver consciência pra achar algo sozinho. Mas por enquanto não.
Não me entendam mal, mas às vezes a gente tem que quebrar a cara. Eu tinha uma amiga que achava que cantava bem. Ninguém tinha coragem de dizer a real a ela. A única coisa que eu mesma disse foi pra ela fazer aula de canto, pois era sempre bom aprender teoria. Ela não se ofendeu, mas julgava não ter nada a aprender. Todos mundo achava que ela estava brincando quando se gravava interpretando alguns artistas notáveis como Barbra Streisand e Gloria Estefan. Até que um dia, ela fez um teste de vocal pra uma banda e um dos músicos foi rudemente sincero com ela. A partir daí ela decidiu fazer aula de canto e melhorou muito.
Às vezes é preciso quebrar a cara um pouco. A gente tem que ouvir críticas, tem que ouvir sinceridade da parte das pessoas. Precisamos confiar nas nossas ideias, mas ver se o caminho pra se chegar no resultado final é viável, senão seremos exatamente iguais aquelas pessoas que não aceitam críticas e acham que são incompreendidas. Todo mundo tá errado e elas estão cobertas de razão.
Se você tiver uma grande ideia, faça perguntas simples: é sustentável a longo prazo? Tem demanda? É tecnicamente possível? Se for uma questão de resolver um problema, ela resolve?
Se sim, acredite nisso e siga em frente. Saiba a hora de parar e não consulte a IA. Milhares de ideias são postas ali todos os dias, quando a IA concatena informações pra te dar, ela não está só lendo a internet e arrancando informações de outros autores e pensadores, ela também está lendo o histórico do que as pessoas conversam com ela. Afinal, você também contribui para o treinamento dessa coisa conversando com ela.
Por pior que seja sua ideia, a IA vai falar coisas boas. Vai dar exemplos de pessoas que fracassaram pra te animar. Um monte de bobagem sem nenhum sentido. Diante disso, leia mais, force seu cérebro a pensar por si só. Converse com outras pessoas e pense também se você não falou aquilo só pra ver onde a conversa com a IA chegava.
Nós temos capacidade, nós temos cognição. Não deixe um modelo de linguagem programado pra te ferrar e te substituir faça filtro de suas ideias. Não perca a capacidade de pensar e decidir por si mesmo.

