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domingo, 13 de março de 2016

O fantástico mundo dos gifs


Continuando a pergunta sobre a coisa mais irrelevante que você irá ver no seu facebook e que eu já sei que você será incapaz de responder, vou falar um pouco de quando a coisa irrelevante consegue prender ainda mais a sua atenção.
Há alguns anos, um colega de trabalho me explicou - e eu não tiro as razões dele - que o facebook não disponibilizava gifs porque brasileiros, com sua fama de serem chatos na internet, se aproveitariam para transformar o feed de notícia num verdadeiro desenho animado colorido e fofo, visualmente péssimo e, portanto, uma estratégia ruim para o facebook. Quer dizer, todo mundo acha ruim, mas no fim, muitos não resistem o compartilhamento das coisinhas meiguinhas que empesteiam a internet. Imaginem a aberração que o facebook se tornaria. Certamente expulsaria muitos de lá.

Mas as pessoas insistem nessa bobagem de gif. E como vivemos uma espécie de "nova geração de gifs", para tudo tem solução. Você não vai ver o gif se mexer, a menos que queira. É como dar play em um vídeo, mas não tem som. Visualmente é atraente e esteticamente funciona bem para o facebook, além de fazer você perder seu tempo visualizando todo um universo de inutilidades de todo gênero. Não pretendo encher esse post de gif, mas hoje mesmo, a primeira coisa que vi foi essa:
Vai e volta, vai e volta, vai e volta, vai e.... GHEGA

Antes de mais nada, peço minhas sinceras desculpas por te fazer ver isso. É uma tortura para os meus olhos, admito, mas é curioso como a vontade de dar um "play" nesses gifs é tremenda.
No meu caso, quase sempre é uma decepção, nada de interessante, nada que agregue coisa alguma, mas eu sempre dou o meu "play".
E como sempre, nós sabemos bem que isso irá prender a nossa atenção e nos damos conta que em questão de 1 minuto, vimos uns 10 gifs.
Até aqui, eu devo começar a explicar que eu não tenho absolutamente nada contra isso. Eu realmente acredito que aquele não praticado "caminho do meio" é sempre uma boa maneira de mantermos o equilíbrio. Não vejo problemas em ficar alguns minutos vendo gifs, mas desde o início, eu expliquei que criei esse blog como uma forma de ajudar pessoas que, como eu, se entregaram ao vício e deixaram tudo isso dominar a sua vida.
Quando há uma grande sensação de perda de controle, temos um problema. Se essa perda de controle te incomoda, então considere tomar atitudes diferentes.
O facebook não mede a apelação para te manter conectado, e a sensação de perda de controle pode não ser só culpa sua. Não quando você é induzido.
As gifs são só mais uma forma de produzir culto ao lixo, e isso vai te deixar mais encantado, mais preso e você não irá resistir.
Eu já fui demitida de um trabalho por passar horas no facebook. Eu sempre prometia mudar, mas no final das contas eu estava lá. Trabalhava 5 minutos e passava 20 prestando atenção em alguma coisa do Facebook. Se as gifs estivessem em alta naquela época, me prenderiam ainda mais a atenção e eu ficaria pior.

Já tivemos evolução de gifs, vídeos, páginas, emojis e o escambau. Qual será a próxima apelação para prender a sua atenção? 
Difícil responder. Mas como eu costumo ficar conectada não mais que 15 minutos - quando eu conecto -, eu tenho uma quase certeza de que eu não serei seduzida por aquilo.
Considerem que é notória a sensação de perda da vida quando passamos muito tempo conectados. Qualquer artifício para prender sua atenção é bem pensado. Não deixe sua mente estagnar ali, não permita-se viver numa prisão voluntária. Se você tem problemas, considere reduzir o tempo no facebook e recobre o que te dá prazer.
Aos poucos, a sensação de liberdade vai surgir fazendo com que você se dê conta de que valeu a pena.






sexta-feira, 11 de março de 2016

O compartilhamento compulsivo



Você nunca se perguntou porque está compartilhando determinada baboseira?
Nunca passou pela sua cabeça que, num minuto você está olhando um monte de conteúdo inútil e no outro está compartilhando e concordando com tudo aquilo?
Começa a escrever curtamente e sem vírgula, entra nas graças das palavras erradas como "ta serto", engloba para sua vida expressões que explodem em toda a rede como "lacrou", "divando", "SQN", "migo", "precisamos falar sobre"...
Na verdade, você é induzido a agir dessa maneira. Esse comportamento memético é irresistível quando você está ali na rede recebendo um fluxo alto de informações.
Claro que, não estou dizendo que não somos responsáveis por compartilhar determinados assuntos. Alguém pode dizer "é só não compartilhar". Ok, mas isso não é tão fácil assim. Você não manda 100% no seu espaço ali na rede quando está conectado. O facebook vai tentar te jogar tudo quanto é conteúdo, vai relacionar os assuntos que você gosta comparando com o dos seus amigos até que você finalmente compartilhe. Isso é bom porque sua atenção vai ficar presa ali e o facebook vai ganhar com isso. Novamente aqui eu digo que a sua relação com o facebook estará fortalecida, mas com seus amigos nem tanto.
O youtube também possui a mesma lógica. Você acessa e o youtube guarda o histórico de todos os vídeos que você assistiu. Induz você a assistir novamente e sugere canais parecidos com os que você acompanha.
Por exemplo, uma vez eu abri o youtube e vi que um vlogger fulano que eu acompanho havia upado um vídeo novo. Abri para assistir, o assunto me chamou a atenção. Ao lado, vi trocentas sugestões de vídeos e um em especial, eu queria entender porquê, já que tratava-se de um canal que eu julgo ser até criminoso. Por que eu me interessaria por aquilo?
Então, eu acessei outros vídeos do canal do fulano, do qual sou inscrita, e notei que em um vídeo ele falava sobre o canal sugerido, do beltrano. E não é só isso. O canal do então beltrano, também aparecia nas sugestões porque citava o nome de outros vloggers que eu acompanho, afinal, botar nome de vloggeiros famosos no seu canal, te faz crescer e chegar a um número notório de pessoas.
Ou seja, é uma teia na qual você está envolvido sem saber. Além dos youtubers usarem essa estratégia para angariar inscritos para seus canais, o youtube contribui botando você de cobaia nisso tudo.
Nesse mesmo dia, em questão de 1 hora, eu já sabia sobre a vida de meio mundo de vloggers que eu nem conhecia, nunca tinha ouvido falar, mas estava ali ouvindo eles porque caí naquela falsa sensação de que uma bomba estava prestes a estourar, e na verdade não estava. Nada de errado acontece ali além do climinha criado pelos famigerados youtubers para envolver você. Afinal, sem você eles não são nada.

O youtube é uma força que age junto com o facebook para ajudar nas visualizações. Quando um amigo seu dá um like em algum vídeo, inexplicavelmente ele pode aparecer nas sugestões de conteúdo de alguma publicação parecida. É um critério. Tudo que é mais lido, mais curtido e mais assistido, vai entrar em primeira ordem.

Quando a gente pensa que a coisa não tem como piorar, o facebook nos presenteia com isso:
Reaction Buttons do Facebook, os novos botões de reação além do Curtir (Foto: Divulgação/Facebook)
Além dos "likes", suas publicações podem ganhar reações. Quero ver no dia que essa brincadeira tiver 50 emojis à escolha, para criar um aspecto de falsa emoção na sua vida.
Para piorar o seu vício e induzir você a compartilhar compulsoriamente e ver trocentas coisas ao mesmo tempo, o facebook não cansa de fazer apelação. E não se esqueça que sempre haverá um sem noção que colocará um coração na sua foto, ignorando que você é casada(o), afinal, o que vale é mostrar pra todos a importância do seu sentimento.
A jogada foi feita e todos vão reagir com sucesso, vão participar com sucesso, vão usar o recurso e isso vai entupir sua página mais ainda com conteúdos que explodirá sua cabeça, e mesmo assim você vai compartilhar.
Ao fazer isso, você pode criar uma polêmica. Seus amigos vão curtir, comentar, opinar, discordar...
Certa vez eu compartilhei um post do qual, em seguida, um amigo compartilhou do meu feed descrevendo o seguinte sobre mim:
"Quem compartilhou foi uma amiga desesperada na vida por likes, que não tem nada de tão interessante pra fazer e fica postando imbecilidades do tipo".
Eu não respondi e não reagi. Apenas tentei entender porque uma postagem boba, que era para fazer uma crítica a um colega narcisista, havia causado tanto desconforto nele. Nem quero pensar naquele papo de "carapuça". Mas enfim.
Não importa o motivo que você compartilhe, é interessante você compartilhar. Compartilhe, curta e pesquise. Assim, você fará o jogo do facebook e ele buscará maneiras de te deixar preso e você irá contribuir para criar uma teia de informações insignificantes para aumentar o volume mais e mais.

Estranhamente, eu nunca vejo o facebook me trazer artigos para diminuir o seu vício em internet ou algo do gênero.
Mas claro, faz sentido, não?
Afinal, o vício gera lucros desde que a humanidade se conhece por gente e, sinto muito informar, mas isso não irá mudar.
O que eu venho sugerindo desde sempre é que você recobre o controle de sua vida e comece a questionar o seu uso da rede.